O que é análise crítica de projetos?

O que é análise crítica de projetos?

Análise crítica de projetos

É uma avaliação documentada, profunda, global e sistemática das soluções ou documentos de projeto, e demais elementos auxiliares, como propostas técnicas, relatórios e orçamentos, quanto à sua pertinência, sua adequação e sua eficácia em atender aos requisitos para o projeto, identificar problemas e propor o desenvolvimento de soluções para tais problemas, se houver, (MANZIONE, MELHADO, NÓBREGA, 2021).

Autor: O texto a seguir é a reprodução textual da Dissertação de Mestrado de Maria Vitória Marim Ferraz Pinto da Silva, 2004, Universidade Federal de São Carlos, pg. 60 a 65

De acordo com (SILVA, 2003), a análise crítica de projetos consiste na avaliação documentada, profunda, global e sistemática quanto à pertinência, a adequação e a eficácia das soluções de projeto em atender aos seus requisitos, identificar problemas e propor o desenvolvimento de soluções.

Deve indicar alterações ou complementações que visem atender a uma diretriz ou objetivo para contribuir com a qualidade do projeto, como adequar características do produto, aumentar a construtibilidade, reduzir custos ou prazos, otimizar métodos construtivos e racionalizar a produção.

A análise crítica deve ser realizada ao final das principais fases do projeto, “não se confundindo com o processo de coordenação e podendo inclusive ser considerada um instrumento da última, principalmente pelo fato se ser externa à equipe de projetistas, favorecendo a necessária neutralidade crítica nesse tipo de atividade.” (MELHADO; BARROS; SOUZA , 1996; MELHADO, 2003)

A coordenação utiliza-se da análise crítica de projetos para o controle de revisões, de alterações nos projetos e o desenvolvimento do projeto de acordo com todas as premissas estabelecidas.

Além de verificações ao final de cada fase de projeto, com o auxílio de check lists atualizadas e com a emissão das suas últimas versões. A análise crítica é definida em contrato, como um documento oficial, entre a equipe de projeto responsável e a empresa contratante.

A NBR ISO 9000 normaliza a atividade de análise crítica.

Ela é “realizada para determinar a pertinência, a adequação e a eficácia do que está sendo examinado, para alcançar os objetivos estabelecidos” (ABNT, 2000a).
A análise crítica sistemática de projetos que é contemplada pela norma de sistemas de gestão da qualidade – NBR ISO 9001 (ABNT, 2000b) – descreve os requisitos a serem desenvolvidos e realizados em fases apropriadas.

Conforme o planejamento do projeto há análise crítica, verificação e validação adequadas em cada fase do projeto e desenvolvimento, para:
a) avaliar a capacidade dos resultados do projeto e desenvolvimento em atender aos requisitos;
b) identificar qualquer problema e propor as ações necessárias.

De acordo com a norma, os participantes das análises críticas devem incluir os responsáveis diretos envolvidos com as diversas fases do projeto que estão sendo analisadas criticamente e os seus resultados devem ser registrados.

A figura 1 , a seguir, esquematiza os aspectos referentes à análise crítica de projetos de edificações.

Figura 1: Análise crítica

A análise crítica que abrange e examina os diversos aspectos técnicos do projeto, deve ser realizada nas várias fases do processo e inclui, segundo ASCE (1988), a verificação de:

  • Hipóteses de projeto;
  • Códigos, regulamentações e normas aplicáveis;
  • Precisão de cálculos;
  • Adequação de alternativas selecionadas;
  • Construtibilidade das soluções;
  • Viabilidade das soluções – de conformidade às exigências dos agentes da promoção, da produção e aos objetivos dos profissionais de projeto.

Esses aspectos dos projetos devem ser submetidos à análise crítica, invariavelmente, nas várias fases do processo.

Por exemplo, a conclusão e compatibilização dos projetos, assim como, a especificação de materiais e componentes devem atender a prazos e procedimentos estabelecidos no planejamento da produção desde a base do estudo preliminar até a de projetos executivos. (NOVAES, 1996)

A análise crítica utiliza indicadores sistematizados para aferir a conformidade das soluções empregadas. Os indicadores, identificados, analisados e mensurados em valores absolutos e relativos, são apropriados de dados referentes ao empreendimento e à edificação ou de valores aplicados no setor da construção.

Com base em NOVAES (1996) e MELHADO; BARROS; SOUZA (1996), são descritas, a seguir, as atividades de análise crítica em cada fase de desenvolvimento do projeto.

Análise crítica no estudo de viabilidade

Na fase do estudo de viabilidade e programa do produto, a análise crítica coleta dados sobre a edificação para comparação com indicadores predefinidos (área de construção, altura do edifício, quantidade de unidades etc.).

Análise crítica no estudo preliminar

A análise crítica, na fase de estudo preliminar, considera:

  • Os aspectos legais de uso e ocupação do solo e código de obras;
  • A qualidade da documentação das informações básicas do empreendimento;
  • A qualidade das alternativas consideradas para definição do produto;
  • Os critérios adotados na análise das alternativas, para escolha da mais viável;
  • A verificação do atendimento às restrições colocadas pelo empreendedor, à legislação pertinente;
  • A verificação da adequação do produto ao mercado ou ao usuário;
  • A qualidade da solução quanto à tecnologia de produção escolhida.
  • Os indicadores coletados nesta fase referem-se à tipologia e implantação do edifício, como: índice de compacidade, áreas de circulação, área total do pavimento, área útil das unidades, quantidade de pavimentos, volumes de terraplenagem e escavações, taxa de ocupação do terreno e orientação do edifício.

Análise crítica no anteprojeto

Na fase de anteprojeto, a análise crítica de projetos avalia e verifica:

  • O nível de compatibilização das interfaces entre especialidades de projeto;
  • O atendimento a normas técnicas e legislações aplicáveis;
  • A qualidade das especificações de materiais e componentes;
  • A detecção de pontos desconsiderados ou mal resolvidos;
  • A aplicação dos princípios de racionalização e construtibilidade, expressos por indicadores ligados à coordenação dimensional, padronização e repetitividade;
  • Indicadores relativos ao edifício e suas unidades (perímetros, área total e acabamento de fachadas; acabamento de vedações internas; composição e pré-dimensionamento da estrutura e necessidade de lajes de transição);
  • Indicadores de qualidade relativos à conformidade de soluções ao processo de trabalho (dimensões de espaços técnicos, como shafts, e desenho das fachadas adaptados aos equipamentos da obra e de manutenção).

Análise crítica no projeto executivo

Na fase de projeto executivo ocorre a análise crítica dos seguintes aspectos:

  • Nível de informação definido pelo detalhamento e sua adequação à prática da empresa;
  • Construtibilidade – qualidade dos detalhes construtivos;
  • Projeto para produção, sob critérios de racionalização;
  • Custo total e composição dos fatores de custo.
    Além da verificação e avaliação de:
  • Itens indicados pelo projeto para controle na execução, critérios e tolerâncias adotadas;
  • Aspectos característicos de durabilidade, custos de operação e manutenção do produto;
  • Dados dos projetos para comparação com os indicadores sistematizados, como resistência característica do concreto e consumo de materiais, em relação ao edifício e aos pavimentos-tipo (volume de material estrutural, peso de aço para armadura de concreto, área de fôrma para concreto
  • Pontos de energia e iluminação, pontos de água e esgoto, comprimentos de tubulações hidráulicas e de eletrodutos);
  • Indicadores qualitativos de desempenho do edifício relativos a estanqueidade e durabilidade de fachadas e coberturas (especificação de revestimentos externos que reduzam a absorção de calor e a movimentação térmica de componentes, detalhes nas fachadas que desviem o fluxo de águas pluviais e camuflem eventuais desaprumos entre pavimentos).
  • A coordenação de projetos ao efetuar a análise crítica, após a conclusão de cada fase do processo de projeto e antes de enviar os projetos à construtora para a sua produção, deve validar o projeto, avaliando e verificando a conformidade
  • Dos diversos projetos aos conteúdos das informações transmitidas à equipe de projeto;
  • Das soluções a aspectos da implantação da racionalização construtiva e do empreendimento a edificar.

Validação de projetos

Após a análise crítica, o coordenador e os profissionais de projeto devem validar os diversos projetos, antes da sua disponibilização para a obra.
A validação é o ato de tornar válido e no âmbito do projeto o proprietário tem esse poder de decisão após o projeto ter sido aprovado na sua análise crítica e compatibilização.
A validação de projetos pode ser efetuada, também em estágios intermediários, através de simulações em sistemas informatizados ou protótipos, modelos de várias naturezas.
Após a conclusão da obra, pode ser feita a validação do projeto por meio da avaliação pós-ocupação (APO), como uma forma de retroalimentação dos projetos.

Conclusão

A importância da análise crítica é fundamental para a gestão dos projetos. Trata-se de uma atividade fundamental. Você pode se aprofundar nesse tema e no conhecimento amplo da Gestão de Projetos e BIM no curso BIM e Inovação em Gestão de Projetos clicando aqui

 

Bibliografia

MANZIONE, L; MELHADO, S.; NÓBREGA, C. BIM e inovação em gestão de projetos. 1. ed; Rio de Janeiro, Editora LTC

MELHADO, S. B.; BARROS, M. M. S. B.; SOUZA, A. L. R. Metodologia envolvendo os novos procedimentos de projeto. São Paulo: EPUSP / Departamento de Engenharia de Construção Civil, 1996. Relatório (CPqDCC n. 20.088 – EP/SC-1).

NOVAES, C. C. Adequação do processo de projeto de edificações aos novos paradigmas econômico-produtivos. In: WORKSHOP NACIONAL: GESTÃO DO PROCESSO DE PROJETO NA CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS, 2., 2002, Porto Alegre. Anais… Porto Alegre: PUC-RS, 2002. CD-ROM.

PINTO DA SILVA, Maria. As atividades de coordenação e a gestão do conhecimento nos projetos de edificações. 2004. Dissertação de Mestrado em Engenharia de Construção Civil  – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos , 2004.

SILVA, M. A. C.; SOUZA, R. Gestão do processo de projeto de edificações. 1. ed. São Paulo: O Nome da Rosa, 2003. 181 p.

 

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