Coordenação e compatibilização de projetos

Coordenação e compatibilização de projetos

Discutiu-se anteriormente o conceito de coordenação de projetos e sua inserção na gestão do processo de projeto.
O quê, então, seria a tal “compatibilização de projetos”?

Embora aconteça com frequência, é errado utilizarem-se “coordenação” e “compatibilização” como termos sinônimos.

Muitos projetos, em determinada etapa do seu detalhamento, contêm problemas de consistência das soluções técnicas das disciplinas de projeto, ou conflitos entre duas ou mais disciplinas, originando-se daí a necessidade da chamada “compatibilização de projetos”, para identificar tais inconsistências e conflitos e conduzir as modificações necessárias à sua eliminação.
Nesse sentido, como tais conflitos ocorrem quase que de modo invariável, a compatibilização de projetos é vista por muitos como imprescindível, embora ela seja fruto de situações não estudadas ou não resolvidas anteriormente, no decorrer das etapas de projeto.
Nessa mesma linha de pensamento, uma atuação exemplar da coordenação de projetos, em tese, levaria à eliminação da necessidade de compatibilização, uma vez que, supostamente, as soluções técnicas adotadas no detalhamento do projeto estariam livres de inconsistências e de conflitos.
E, mesmo que não seja possível eliminá-la, como princípio de gestão, a coordenação deve se pautar por evitar, ou extinguir o quanto antes, qualquer inconsistência ou conflito gerado no desenvolvimento do projeto.
Portanto, ao se esclarecer a diferença entre coordenação e compatibilização de projetos, fica evidenciado que a coordenação envolve a interação entre os diversos projetistas desde as primeiras etapas do processo de projeto, para discutir e viabilizar as soluções para ele.

A coordenação deve atuar no sentido de evitar as possíveis discrepâncias ou incoerências entre as informações produzidas por diferentes membros da equipe de projeto.

A cada etapa de projeto, os modelos criados pelas diferentes especialidades são superpostos para verificar as interferências entre eles, e os problemas são evidenciados para que a coordenação possa agir sobre eles e solucioná-los, de forma a eliminar futuras demandas de compatibilização.
Acredita-se, portanto, que as tecnologias digitais associadas à modelagem da informação da construção (BIM), se adequadamente utilizadas, podem permitir níveis elevados de eficiência e de eficácia da coordenação de projetos, descartando a compatibilização final dos projetos; ou, em outras palavras, essa compatibilização passaria a ocorrer, de forma distribuída e antecipada, em todo o processo de projeto.
No entanto, em condições de aplicação parcial dos recursos associados à modelagem (BIM), ou se o processo de projeto apresentar lacunas, não há como afirmar isso.

Daí se reforça a importância dos controles exercidos pela coordenação de projetos, para que se garanta a qualidade das soluções adotadas.

Independentemente do estágio de aplicação da modelagem (BIM), a coordenação de projetos deverá fazer uso de recursos para controle das etapas de projeto, promovendo atividades de verificação, análise crítica (design review) e validação dos elementos de projeto, o que, sem sombra de dúvida, ao final do processo, reduzirá a demanda pela compatibilização de projetos.

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